sexta-feira, 28 de março de 2014

A professora do primário e o fim da ditadura.

Minhas lembranças do regime ditatorial, pelo qual passou o Brasil, tem um tom mais forte com a imagem da minha professora do primário chorando em sala de aula, de alegria, pela redemocratizacao.
Professora Socorro era alta, magra, voz grave, semblante serio e disciplinadora. Lecionava português para o terceiro ano do primário na Escola Estadual Zulmira Bittencourt, no bairro de Sao Jorge, Manaus. Conhecida pela seriedade e controle emocional, profissional excelente e pontual, era muito exigente com seus alunos.
Me sentava na primeira fileira, porem um pouco distante de sua mesa, minha atenção para com ela ia alem das aulas, seu tom de voz transmitia coragem, segurança, clareza. Me fixava em seus gestos, modo de ensinar, vestir, tratar os alunos.
Naquela manha de 1982 véspera das eleições para governador, depois de muitos anos sem ter o direito de ir as urnas, livremente, minha professora passou a relatar para os pequenos alunos os amargos anos da ditadura, a repressão, o "cale-se", as perseguições de amigos e parentes. Como consequência natural, em meio a um surpreendente sorriso pela expectativa de reencontrar as urnas depois de longos anos, minha professora, as portas da merecida aposentadoria, chorou emocionada pela queda da ditadura e pela redemocratizacao.
Então, nao entendia a profundidade dos motivos que a emocionavam, mas sabia que se tratava de algo relacionado a política do Brasil, pois ela nos convocou a ficarmos de pe e a cantarmos o hino nacional. Restou gravado em minha memória, aquelas palavras que fluíam libertas de um coração represado, que despertavam em nos, ainda crianças, uma consciência de democracia que deveríamos levar por toda a vida.
Os anos se passaram, lembro da efusiva celebração pela eleição de Tancredo, tomamos as ruas do bairro com cores da bandeira brasileira nas mãos, dançando como se estivéssemos vencido a copa. Logo após, a profunda tristeza, o luto pela morte do presidente eleito e as incertezas nos oprimiam.
Então veio a elaboração da constituinte e, lembro bem, de minha professora celebrando cada avanço para o futuro e cada passo que nos distanciava do passado sombrio de repressão e abusos. Celebrou o fim da censura e leu em voz alta trechos de "textos subversivos" que haviam sido censurados pela ditadura. Ela nos informava do que estava prestes para ser votado na constituição, nossos direitos, e reafirmava o valor da democracia em cada lagrima e cada sorriso que lhe escapava da face.
Vivi aqueles anos com os olhos da inocência, mas com a consciência democrática. Meus pais e minha professora plantaram em mim o valor democrático que busco viver e transmitir na liderança que exerço, no convívio familiar, nas instituições das quais sou membro e no meu pais.
Hoje, em que se fazem 50 anos de instauração do regime militar, trago minhas homenagens a todos os que lutaram, suportaram o no preso na garganta e estancaram o sangue quando fervia. Aos que se exilaram e aos que nao tinham como se exilar em outro pais e tiveram que exilar se dentro de si. Na pessoa da minha saudosa professora Socorro Oliveira, presto minhas homenagens.
Ditadura, nunca mais! Viva a democracia!


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desânimo na pre campanha eleitoral

Sem paixão toda meta se torna difícil demais. A paixão por uma visão produz o impulso que catapulta qualquer projeto. Assim como o impulso eh o melhor amigo de um projeto, o desânimo produz o aborto dos sonhos e dos projetos. Eh como um livro abandonado, quando meio lido. Assim se encontra a temperatura nas fileiras de apoio de alguns políticos nesse inicio de ano eleitoral, um desânimo total.
Aliados da presidente Dilma falam em conversas reservadas sobre o "volta lula", reclamam do temperamento da presidente, sua dificuldade em conduzir a valsa política e sua truculência no trato diário com os mais diferentes interesses políticos de seus aliados. As "viuvas" do ex-presidente Lula estão cada vez mais lembrando os "bons tempos" do bate-papo leve, dos tapinhas nas costas e da palavra "companheiro" que fez de Lula um exímio "encantador de serpentes" da política.
Dilma, que vem caindo nas ultimas pesquisas, nao consegue despertar o próprio animo, faz parecer que esta cansada, nao eh do ramo e nao sabe como conduzir o processo eleitoral. Trata mal seus apoiadores, vive de salto alto em meio ao combate e o que eh pior nao tem bandeira, carisma ou visao para espantar o desânimo da sua militância que diminuiu em muito sua influencia e conquistas nesse governo.
O mesmo se vê nas candidaturas para cargos majoritários aqui no Amazonas. Se nao houver uma figura nova, desprendida, dinâmica e carismática, a disputa ficara reservada a dois candidatos do mesmo sistema desgasto e exaurido. Assim sendo, seguramente, teremos um alto índice de abstenção e a campanha sera fria e só pra cumprir tabela. O mesmo quanto ao Senado que só terá uma vaga e ao que parece um só candidato.
Quanto aos Cargos proporcionais, já se vê em alguns candidatos a deputado (tanto federal quanto estadual) o desgaste na imagem, discurso e estilo. Só o bagaço da laranja, já nao tem mais o que dar. Essa percepção do mesmismo produz o desânimo no eleitorado e principalmente na militância.
Mais que um abraço para fotos ou discursos autoelogiosos, que produzem resultados rasos e passageiros, uma conversa pessoal, comprometida com uma visão que alcance e beneficie todos e principalmente a coerência, sao alguns dos ingredientes que podem esquentar o animo dos militantes e eleitores, protagonistas das eleições 2014.
Discursos nao conquistam companheiros de combate, muitas vezes apenas geram duvidas. Para conquistar colaboradores valentes, animados e com total entrega o candidato tem que transbordar oportunidades para todos, visão e proximidade. O palanque distancia, o dialogo aproxima, aquece e anima!

sábado, 18 de janeiro de 2014

CITAÇOES DO LIVRO: A FILOSOFIA DA ADULTERA, DE LUIS FELIPE PONDE. baseado na obra de Nelson Rodrigues.

1. A ADULTERA.

"DESEJO É ESCRAVIDÃO E TEMPERAMENTO É DESTINO". com o tempo o temperamento se transforma em caráter.
A culpa e o pecado são os maiores aliados dos desejos que existem.
A prostituta não é a primeira profissão do mundo, mas a sua vocação mais antiga.
A adultera revela o fracasso de toda moral porque a interdição apaixona. Torna-se objeto, coisa que se deixa mandar.
Pensar através da adultera é , antes de tudo, uma confissão de desejo pela mulher na sua condição de filha de Eva. Aquela primeira infiel.
Em "perdoa me por me traíres" o marido traído afirma que "não se abandona uma adultera". Nesse caso a adultera seria vitima e não culpada.
Sexo demais é falta de amor.

2. O SOFRIMENTO.

Em Nelson Rodrigues o sofrimento é condição de possibilidade de conhecimento.
O sentido de se angustiar ou apodrecer, para Nelson, sofrer nos garante a condição de sermos humanos. Pois segundo Cioram: "a dor emancipou a matéria do sonambulismo do átomo e fundou a consciência".
O sofrimento é algo que tira o homem da covardia e da condição de sonambulo na vida, porque o fez sentir o quão urgente é dizer a verdade num mundo que optou pela festiva como modelo de vida e conhecimento.
Tudo o que é apenas politico não é serio. No fundo de um drama politico ha um drama moral ou religioso.
Quando vira apenas politica é porque desidratou aquilo que ali era uma verdade profunda, ou seja, perdeu a essência.
O corpo, enquanto desejo, é um órgão do tédio. Ao contrario do que os sacerdotes da imbecilidade contemporânea afirmam, a realização do desejo não resolve o problema essencial do vazio do corpo.
O corpo é o lugar do tédio porque nos leva ao limite da validade do gozo, contra as modinhas que pensam a vida como uma idiota balada.
Confiar no desejo do corpo é como pensar que, porque temos sede, podemos beber água o tempo todo como sentido da vida.
Devemos sim, ter medo de ser feliz!
O que dizer de um homem impotente? O Viagra é mais importante do que duzentos anos de marxismo.

3. O MEDO.

Temos medo porque somos frágeis. Somos mesmo frágeis, por isso ser um ex-covarde nos termos de Nelson, é não ter medo de sofrer.
Quanto mais medo, mais mentimos. Um medo quase invisível, aquele que todos que querem agradar e serem amados tem.
o retardamento é um modo de enfrentar o medo. os alunos passam a dominar os professores e os filhos a dominar os pais.
Jovens que não sabem arrumar o quarto convencem todo mundo de que devemos rearrumar o mundo. Quem sabe no novo mundo os quartos se arrumem sozinhos.
É estranho que normalmente quem defende os animais defenda o aborto, assim como quem come um pedaço de pizza.
Medo da esquerda do politicamente correto que quer quebrar a espinha dorsal do debate publico, fazendo todo mundo ter medo de falar, escrever e pensar. a esquerda feminista, que quer todos os homens castrados. a ditadura gay que acha que todo mundo é gay. A ditadura inteligentinha que toma vinho chileno.

4. O CANALHA INSTITUCIONAL
É o que fala sempre no coletivo, esmaga todos a sua volta, cuspindo regras e decisões coletivas cujo objetivo é apenas se esconder de seu medo maior, sua mediocridade individual.
O enfrentamento individuo-individuo é seu maior medo, porque sua individualidade é nula. Ser individuo é um ônus que poucos suportam.
Os verdadeiros indivíduos são caçados como lobisomens por todos os lados pelas artimanhas dos canalhas institucionais, verdadeiros inimigos de qualquer coragem criativa no mundo.
O institucionalismo adora a covardia, porque sempre andam em bando.

5. JOVEM.

Nada pior do que o poder do jovem. Os jovens sempre tem razão porque são jovens, e com isso se destrói a própria possibilidade da juventude, que é se enganar e pedir desculpas pela falta de experiencia de vida.
A unica possibilidade de alguém ser jovem é que alguém o diga que esta errado, que nada sabe. Por isso Nelson lhes aconselhava: envelheçam.

5 CRITICA SOCIAL.

A MILITANTE DE CLASSE MEDIA: Recicla lixo e se diz preocupada com as vitimas da ditadura, mas no fundo de fato é uma incompadecida. Incapaz de sofrer por qualquer que seja um ser humano real, ela suspira pela injustiça social do alto do seu apartamento nos jardins.
São o que Nelson chama de "amantes espiritual de Che", ou seja, uma das marcas de mulheres socialmente emergentes. Fingir que sofrem pela injustiça social, é uma das marcas de pseudossucesso economico, assim como uma bolsa Prada ou Louis Vuitton falsa.

(CONT. EM BREVE).

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Mensagem para as celulas, Agosto de 2014


Ministracao 1.

Celulas e a visão de cuidar das pessoas. 1 Pe. 5. 2.

Introdução:
O que aconteceu com a idéia de que todos os crentes são sacerdotes?
Pastorear significa tanto suprir as necessidades quanto cuidar das suas feridas, traumas e duvidas.

1) O Espirito Santo confiou a voce o ministério de cuidar.Cuidem das ovelhas. Cuide das pessoas que estão com voce.
2) cuide das ovelhas nao por obrigacao, mas de livre vontade. Nao faca nada de ma vontade, pois assim nao sera bem feito, faca com amor e gratidão a Deus.
3) cuide das pessoas sem intenção de lucrar. Há alguns que querem cuidar só de pessoas ricas ou ligadas a elite social. Jesus pregou para os pecadores e a eles deu atenção, pois os sãos nao precisam de médicos e sim os doentes. Mt. 9.12.
4) cuide das pessoas nao como dominador ou manipulador. A alegria do discipulador eh ver que seu discipulo nao precisa mais dele, já consegue caminhar com as próprias pernas e cuidar de outros.
5) cuide das pessoas com o desejo de servir. Quando servimos nos completamos, ensinamos pelo exemplo e constrangemos os discípulos a também servirem como foram servidos.

Conclusao: Você esta na visão, então Isso significa que voce tem uma missão maravilhosa, cuidar dos discípulos um a um. Então mãos a obra! 2014, o ano do discipulado um a um!

Ministracao 2

O Espirito Santo lhe estabeleceu como um modelo p os discípulos. 1 pe. 5. 3.

introdução: há um provérbio popular que diz: "as palavras movem, mas o exemplo arrasta". A forca do testemunho e exemplo pessoal eh fundamental no discipulado um a um.

1) O líder dominador nao pode ser exemplo. Eh aquele que concentra tudo em si com medo de perder o poder, sua arrogância e soberba oprime o mais simples e humilde. Por orgulho quer fazer dos discípulos seres sem alma, subservientes. Há uma grande diferença entre ser servo e ser servil. Queremos uma geração de servos com autenticidade e auto estima curada e nao manipulados, sob a opressão de um ditador.

2) O líder invejoso nao pode ser exemplo. Quando o Espirito Santo desceu sobre os 70 no deserto, dois deles passaram a profetizar desde o arraial, os discípulos de Moisés pediram q os repreendesse, mas Moisés nao aceitou o argumento da inveja e disse: "quero que todo o Israel profetize". E nao apenas uma elite.

3) o líder acomodado nao pode ser um exemplo. A célula e o discipulado nao pode ser conduzido por "um boi cansado na frente da carroça". Tem que ser um lider dinâmico, animado, visionário, humilde e trabalhador. Se o discipulador nao se dispor a discipular, como o discípulo vai se levantar?

4) o lider eh um exemplo:
Quando eh o primeiro a se dispor. Em consolidar, em se levantar, em dar a oferta do valente, em vender cotas, etc.
Quando eh o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Disponibilidade.
Quando vive o que prega.
Quando ama as ovelhas a ele confiadas.

Conclusão: seja um exemplo no discipulado um a um que vai dar certo e o resultado sera rápido e maravilhoso.

Ministracao 3.

O "cuidar" na visão. I Ts. 2.7

Introdução. Cuidar e discipular são duas coisas diferentes. Cuidar eh pastorear e nutrir individualmente o discipulo. Discipular eh ensinar e unir as ovelhas na célula, geração e igreja. O pastorado equilibrado ocorre quando o cuidado e o discipulado tem a mesma ênfase na célula.

1) Cuidado emergencial: reação imediata na crise. Gl. 6.2 " levar o fardo um dos outros".
Ex. Um irmão sofreu um acidente e fez duas ligações: uma para o samu e outra para o líder da célula. A célula foi a primeira a chegar.

2) Cuidado como reabilitação. Há lideres que tem prazer em disciplinar, ler a lista de disciplina, faz uma oração insensível, depois abandona o discípulo a própria sorte e acha que fez tudo. O cuidar eh uma atenção prolongada depois da crise, acompanhar diariamente a recuperação.

3) Cuidado a longo prazo. Apoio para toda a vida. Há pessoas que precisam de um cuidado constante e especial. Ex. As viuvas judias de fala grega (átos. 6.3) e os Viciados em drogas. Porem, saiba que devemos ajudar a carregar as pedras pesadas (fardos) mas cada um deve carregar a própria mochila (carga).

4) O cuidado pastoral mutuo. Qualidade de vida espiritual.
O visão celular eh uma experiência de comunidade e apoio mutuo, e nao de liderança solitária de um grande rebanho. O ministerio mutuo eh a única maneira de uma célula viver tanto o cuidar quanto o discipular.

Conclusão. Envolva se em cuidar e discipular. Assim como um recem nascido precisa de cuidados, assim também o novo discipulo. Vamos cuidar.


Ministracao 4.

O DISCIPULAR, 1 Tess. 2.10.

Introdução: Diferente de cuidar, discipular ocorre em uma certa distancia entre discipulo e discipulador. Eis algumas características do que eh discipular:

1) eh servir intencionalmente de modelo.
Ap. Paulo: "sede meus imitadores...". 1 Co. 11.1.
Em 2 ts. 3.9 Paulo, Silas e Timóteo se sustentariam fazendo tendas " p que nos tornássemos um modelo p ser imitado por vocês.
"eh necessário vida convertida para converter vidas".

2) eh pastorear intencionalmente. Alimentar periódicamente todo o rebanho na célula ou geração.

3)Eh viver a visão nas celulas. A visão da catedral Canaa: "ser um referencial profético do Reino de Deus, transformando pessoas nao religiosas em seguidores de Cristo comprometidos".

4) Eh ensinar o discípulo a ser um mordomo fiel da obra de Deus. E despenseiros da sua multiforme graça.

Conclusão: eh necessário equilibrar cuidar e discipular para que a visão cresça levando o evangelho todo, para o homem todo, todos os dias e em todos os lugares.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

AS MOSCAS DA PRAÇA PÚBLICA – Friedrich Nietzsche



“Refugia-te, meu amigo, em tua solidão! Vejo-te aturdido pelo ruído dos grandes homens, e crivado pelos aguilhões dos pequenos.

Dignamente, contigo, sabem calar os bosques e as penhas. Assemelha-te de novo à tua árvore querida, à árvore de ampla ramagem, que escuta silenciosa, suspensa acima do mar.

Onde cessa essa solidão, começa a praça pública, e onde começa a praça pública, começa também o ruído dos grandes cômicos e o zumbido das moscas venenosas.

No mundo, as melhores coisas não valem nada sem alguém que as represente; grandes homens chama o povo a esses atores.

O povo mal compreende o que é grande, quer dizer, o que é criador. Mas tem um sentido para todos os atores e cômicos das grandes causas.

Ao redor dos inventores de valores novos gira o mundo; gira invisivelmente. Mas ao redor dos atores giram o povo e a glória; assim ‘o mundo marcha’.

Espírito tem o cômico, mas pouca consciência do espírito. Crê sempre naquilo pelo qual faz crer mais energicamente – crer em si mesmo.

Amanhã terá uma nova fé e depois de amanhã outra mais nova. Possui percepções rápidas como o povo, e intuições variáveis.

Derrubar: a isso chama demonstrar. Tornar-se louco: a isso chama convencer. E o sangue é aos seus olhos o melhor dos argumentos.

Chama mentira e nada a uma verdade que só penetra nos ouvidos delicados. Na verdade, só acredita nos deuses que fazem muito ruído no mundo.

Cheia de truões ensurdecedores está a praça pública e o povo se vangloria de seus grandes homens. São para ele os ‘homens da hora’.

Mas o momento os oprime, e eles oprimem a ti, e te exigem um sim ou um não. Desgraçado! Queres colocar-te entre um pró e um contra?

Não invejes esses espíritos opressivos e absolutos, ó amante da verdade! Jamais a verdade se entregou nos braços dos intransigentes.

Volve ao teu asilo, longe dessa gente tumultuosa; é só na praça pública que vos assediam para arrancar-vos ‘um sim ou um não?’.

Lenta é a vida das fontes profundas; têm de esperar por muito tempo antes de saber o que caiu em sua profundidade.

Tudo quanto é grande passa longe da praça pública e do renome. Longe da praça pública e do renome viveram sempre os descobridores de valores novos.

Refugia-te, amigo, em tua solidão; vejo-te crivado por moscas venenosas. Foge para onde sopra o vento rijo.

Refugia-te em tua solidão! Viverás demasiadamente próximo dos pequenos e dos míseros. Afasta-te de sua vingança invisível! Tem para ti apenas um sentimento, o rancor.

Não levantes mais o braço contra eles! São inumeráveis, e não é teu destino ser enxota-moscas.

Inumeráveis são esses pequenos e míseros; e altivos edifícios se viram destruídos por gotas de chuva e ervas daninhas.

Tu não és pedra, mas já te fenderam muitas gotas. E muitas gotas acabarão por fender-te, e por arrebentar-te em pedaços.

Vejo-te fatigado pelas moscas venenosas, vejo-te arranhado e ensanguentado em cem pontos, e teu orgulho desdenha até de encolerizar-se.

Sangue desejariam elas de ti em sua maior inocência; suas almas anêmicas reclamam sangue, e picam com a maior inocência.

Mas tu que és profundo, sentes profundamente até as pequenas feridas, e antes de curar-te, corria já pela tua mão a mesma vermina venenosa.

Pareces-me demasiado altivo para matar a esses gulosos. Mas cuida que não seja o teu destino suportar toda a sua venenosa injustiça!

Também zumbem à tua volta: mesmo quando te louvam seus louvores são pura importunação. O que querem é estar próximos de tua carne e de teu sangue.

Adulam-te como se adula a um deus ou a um diabo; choramingam ante ti como diante de um deus ou de um diabo. Que importa! São aduladores e choramingas, e nada mais.

Também costumam fazer-se amáveis contigo. Mas essa foi sempre a astúcia dos covardes. Sim; os covardes são astutos!

Pensam muito em ti com alma mesquinha. Tu és sempre suspeitoso! Tudo o que dá muito que pensar se torna suspeitoso.

Castigam-te por tuas virtudes. Não te perdoam, na verdade, senão as tuas faltas.

Como tu és benévolo e justo, dizes: ‘São inocentes da pequenez de sua existência’. Mas as suas almas estreitas pensam: ‘Toda a grande existência é culpada’.

Embora sejas benévolo para com eles, consideram-se ainda desprezados por ti, e te pagam os benefícios com ações dissimuladas.

Teu orgulho sem frases sempre os desgosta, e se alvorotam toda vez que és bastante modesto para ser vaidoso.

O que reconhecemos no homem é o que nele também atiçamos. Guarda-te, pois, dos pequenos!

Em tua presença, sentem-se pequenos, e sua baixeza arde em invisível vingança contra ti.

Não notaste como costumam bruscamente emudecer quando deles te aproximas, e parece que as forças os abandonam como o fumo abandona um fogo que se apaga?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Filosofia... Direito... Pitadas

Para intérpretes do direito mais afeitos às ideias kantianas, só o que importa é fazer justiçaSe o poupador tem razão em seu pleito, deve ser atendido, não importando os resultados. "Fiat iustitia, pereat mundus" (faça-se justiça, mesmo que o mundo pereça), escreveu o filósofo alemão.

Receio, entretanto, que não possamos abraçar tão alegremente os postulados kantianos. Sistemas judiciários, principalmente quando tratam de temas de repercussão geral, precisam de pitadas de consequencialismo. Se é verdade que o reconhecimento de perdas na poupança teria um grande impacto negativo para a economia, o STF não pode se dar ao luxo de ignorar esse aspecto (o que não implica que juízes devam julgar olhando só para os resultados).

A pergunta, no fundo, é o que caracteriza uma nação: o passado comum, como queriam os românticos, ou a vontade de construir um futuro, como advogava o filósofo francês Ernest Renan? Creio que as sociedades que apostam na segunda fórmula tendem a ser mais dinâmicas.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O MARTIRIO DOS APOSTOLOS, VALENTES DE DEUS DO NOVO TESTAMENTO!

As historias a seguir são verídicas e revelam a enorme coragem dos primeiros apóstolos, que se deparavam com a morte cruel todos os dias apenas para crer em Jesus e anunciar seu Reino. Todos morreram de forma terrível, tiveram mortes cruéis simplesmente porque creram e anunciaram a mensagem do evangelho. TIAGO, irmão de Joao e filho de Zebedeu e Salomé. Foi arrastado pelas ruas como um pedaço de lixo a ser descartado. Um dos soldados Romanos se colocou de joelhos e pediu perdão a Tiago., que também começou a chorar, pedindo-lhe permissão para entrar no Reino de Deus. - Tiago, rápido me diga o que fazer? - “apenas creia no Senhor Jesus e serás salvo – exclamou Tiago enquanto a sua cabeça estava sendo posicionada no bloco do executor. PEDRO Foi de modo maldoso, condenado e lançado na infame Prisao Mamertina, em Roma. A Mamertina era uma camara profunda e escura, lavrada em rocha solida, formada por duas camaras, uma em cima da outra. Uma fenda estreita no teto fornecia o único acesso e luz à camara de cima. A camara inferior, conhecida como a “cela da morte”, ficava em completa escuridão – e nunca era limpa. Um mal cheiro terrível enchia a prisão, chegando a envenenar de maneira fatal muitos prisioneiros. No “vívido inferno”de Mamertina, Pedro foi acorrentado de pé a um poste, em uma posição fisicamente exaustiva que não permitia que ele se reclinasse. Ali, sozinho, chafurdando-se na imundície, em completa escuridão. Pedro aguardou a sua morte durante nove longos meses – a monotonia só era interrompida por períodos de intensa tortura. Tudo o que Pedro tinha a fazer para ser liberto era renunciar a Jesus. Mas o evangelho se divulgava cada vez mais enquanto Nero continuava a edificar sua reinvindicaçao pessoal como inimigo de Deus. Um dia, no ano 67, Pedro foi conduzido até o circo de Nero para ser executado. Ali o apostolo solicitou que fosse crucificado de cabeça para baixo, pois não se achava digno de ser crucificado na mesma posição que seu Senhor Jesus Cristo. Os romanos sarcásticos concederam o seu pedido. Enquanto Pedro era conduzido para ser crucificado, ele olhou para a sua mulher, que igualmente estava sendo conduzida para ser executada. Em seu livro A Historia da Igreja, Eusébio cita as ultimas palavras de estimulo de Pedro a sua mulher: “ó, lembra-te do Senhor!”. Certamente Pedro conhecia a veracidade da ressurreição. Será que Pedro e sua mulher passariam por tamanho sofrimento por causa de uma mentira pantente? ANDRE Foi crucificado em uma cruz em forma de X, e não em uma cruz semelhante a do Senhor Jesus. Andre sofreu torturas antes de sua execução. Em vez de ser pregado na cruz, como os outros, Andre foi amarrado a fim de prolongar o seu sofrimento. Hora após hora suportou dor e humilhação extremas, enquanto era exposto sem roupa. Mesmo assim, durante esse período, ele exortou os cristãos e outros expectadores, louvando a Deus. A sua tortura continuou por dois dias até que finalmente sucumbiu à morte no ultimo dia de novembro, por volta do ano 69. Suas ultimas palavras foram: “aceite-me é, Oh Cristo Jesus, a quem eu amo, e de quem sou; aceite o meu espírito em Teu Reino eterno”. TOMÉ Adeptos de uma seita Hindu se tornaram invejosos do sucesso missionário na India e tramaram mata-lo. Uma dia Tomé estava em profunda oração em uma caverna nas encostas do monte Antenodur, na India, quando os brahmins o atacaram, o torturaram, feriram o seu lado com uma lança e então fugiram. Tomé saiu da caverna agonizando e se arrastou subindo a encosta, onde morreu. MATEUS Foi condenado pelo Sinedrio e foi preso em um tronco no chão e decapitado por causa de sua fé, por volta do ano 60. FILIPE Foi martirizado com a idade de 87 anos na cidade de Hierápolis na Frigia. Sacerdotes pagãos o crucificaram de cabeça para baixo e que o pregaram na cruz perfurando as suas coxas. Ele foi então apedrejado enquanto estava pendurado na cruz. Antes de entregar o seu espírito ele orou pelos seus inimigos como fez Jesus. SIMAO, O ZELOTE Na pérsia, Simao acabou sendo serrado em dois por pregar a ressurreição de Jesus. PAULO Passou muito tempo na prisão em Roma e no ano 66 Nero o condenou a morte e mandou decapita-lo. MATIAS Foi apedrejado e decapitado. MARCOS Foi decapitado. BARNABE Morto a pedradas pelos judeus. JOAO Foi o único dos 12 que morreu de morte natural, mas foi exilado por sua fé em Cristo. TIAGO, o irmão de Jesus Foi apedrejado até a morte. Natanael Foi preso, torturado e decapitado no ano 68.